OGX
O ano era 2012 e Eike era chamado de o homem que tinha tudo, em uma entrevista ao Sunday Times em março de 2012, sua confiança era palpável: “Não estou me vangloriando. É apenas uma consequência de tudo o que fizemos. Basta olhar para os ativos. Meu Deus, até 2015 estaremos faturando US$ 10 bilhões. Entre 2015 e 2020, isso vai dobrar ou triplicar. E esses são números conservadores.”
Naquela época, ele era o símbolo do sucesso brasileiro, um empreendedor carismático que prometia transformar o Brasil em uma potência global por meio de suas empresas, especialmente a OGX, sua companhia de petróleo e gás.
Fundada em 2007, a OGX Petróleo e Gás era o coração do conglomerado EBX, o império empresarial de Eike Batista. A empresa foi lançada com grande alarde, prometendo explorar vastas reservas de petróleo na costa brasileira, particularmente na Bacia de Campos e na Bacia de Santos.
Eike, conhecido por sua habilidade em atrair investidores com sua visão grandiosa, conseguiu levantar bilhões em capital por meio de ofertas públicas e parcerias internacionais. Ele vendia a ideia de que o Brasil, com seus vastos recursos naturais, seria o próximo grande player no mercado global de energia, e a OGX seria a força motriz dessa transformação.
No auge, a OGX chegou a ser avaliada em mais de US$ 40 bilhões, impulsionada pela confiança dos investidores e pela retórica otimista de Batista.
Ele prometia produção de milhões de barris de petróleo por dia, atraindo comparações com gigantes globais como a Petrobras. Sua estratégia era agressiva: alavancar a euforia do mercado, captar recursos e investir pesadamente em exploração. No entanto, o que parecia ser um plano infalível revelou-se uma aposta arriscada.
Os problemas da OGX começaram a surgir quando os poços de petróleo, nos quais bilhões haviam sido investidos, não entregaram as reservas prometidas.
Relatórios técnicos indicaram que muitos dos campos explorados pela empresa tinham volumes de petróleo muito inferiores ao projetado, ou eram simplesmente inviáveis comercialmente.
A confiança dos investidores, que havia sido sustentada por projeções otimistas, começou a desmoronar.
Em 2012, a OGX revisou drasticamente suas estimativas de produção, o que desencadeou uma queda acentuada no valor de suas ações.
A situação foi agravada pela incapacidade de Batista de gerenciar a dívida crescente da empresa. A OGX havia captado bilhões em empréstimos e títulos, contando com a produção futura para quitar suas obrigações.
Quando a produção não se materializou, a empresa ficou sem fluxo de caixa para honrar seus compromissos.
Em outubro de 2013, a OGX anunciou que não poderia pagar US$ 45 milhões em juros a seus credores, um evento que marcou o início do fim. Em novembro do mesmo ano, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, na época o maior processo de falência da história da América Latina.
A Nova Aposta: Supercana e Criptomoeda
Após o colapso de seu império, Eike Batista não desistiu de tentar reconquistar seu lugar no cenário empresarial.
Agora, ele voltou a atrair os holofotes com um projeto que mistura agronegócio e tecnologia: a “supercana”, uma variedade de cana-de-açúcar que ele apresenta como revolucionária.
No entanto, o projeto, assim como muitas das iniciativas anteriores de Eike, está envolto em desconfiança e números que parecem desafiar a lógica.Batista anunciou a supercana como a base de uma nova empreitada que promete produzir etanol, biomassa e até bioplástico a partir do bagaço da cana.
Ele planeja captar recursos por meio da venda de uma criptomoeda chamada $EIKE, com o objetivo inicial de levantar US$ 100 milhões para construir uma fábrica de bioplástico na Flórida.
Até o momento, no entanto, a iniciativa arrecadou menos de US$ 100 mil, um sinal claro de que o mercado não está tão convencido quanto Eike gostaria.
Os números apresentados por Batista são, como de costume, impressionantes – e, para muitos, inverossímeis. Ele promete plantar 70 mil hectares de supercana nos próximos cinco anos, gerando um bilhão de litros de etanol por ano e um milhão de toneladas de biomassa.
Para efeito de comparação, a Raízen, maior sucroalcoleira do mundo, produz cerca de 3 bilhões de litros de etanol anualmente em 1,3 milhão de hectares, com um lucro operacional de R$ 7,5 bilhões.
Eike, por outro lado, projeta um lucro de R$ 34,3 bilhões (US$ 5,9 bilhões) com apenas 70 mil hectares – uma produtividade por hectare que desafia as leis da agroindústria. Como disse Rubens Ometto, controlador da Cosan, em um evento do BTG Pactual: “É difícil criticar, mas já fizemos isso [investir na supercana] e abortamos.”
Parece que vem por aí mais uma história para contar sobre Eike.







